De: Luciano Eufórico

Até breve…
Huambo, até breve.
Até breve, terra do feijão e do milho,
no pilão da memória,
fuba limpa, branca como a saudade,
palapala quente no calor da tarde.
Huambo, até breve.
Até breve, terra do umbundu,
onde a palavra tem raiz e tem chão,
ovimbundu, vozes antigas
que ecoam no vento do planalto.
Epata, luvili, moco,
sabores que ficam na memória.
Huambo, até breve.
Pedra Cuca, firme e silenciosa,
a guardar o tempo que passa.
Planalto Central, vasto e profundo,
até breve, terra que não se esquece,
até breve, chão que prende o coração.
Foi um prazer conhecer-te
nesta estrada longa.
Talvez não seja fácil
arrancar-te do peito,
talvez não seja fácil
tratar-te como chão qualquer,
talvez não seja fácil.
Tomar outro rumo
e seguir em frente,
mas o coração fica para trás.
Vou,
seguindo o sonho,
com passos que carregam lembranças.
Vou para Luanda,
mas deixo um pedaço meu aqui,
na Caála agitada,
no riso do povo,
no silêncio das noites frias.
Até breve, Rua do Comércio,
até breve, vida do mercado,
até breve, Museu da Cultura,
até breve, Palácio da Justiça,
até breve, Praça da Alemanha,
até breve, Benfica,
até breve, rios Cubango e Hama Keve.
Huambo, até breve.
Foi um prazer conhecer-te,
realizar o desejo de te ver,
Londimbali, Chinjenje,
Bailundo, coração do Huambo,
Mungo, Cachiungo,
Evinha, Ucuma,
Longonjo, caminhos de vida.
Até breve, Tchicala Cholohanga,
Vila Nova, sempre viva,
até breve, Caála.
Huambo, até breve.
Até breve,
terra do muangolé,
terra que chama
e nunca se esquece.